BOLETIM CLIMÁTICO PARA A PRIMAVERA 2018
Início às 22 h 54 min de 22 de setembro de 2018
Término às 19 h e 23 min de 21 de dezembro de 2018
Em caso de vigência do horário de verão, somar 1 hora
Características das precipitações na primavera
No Paraná os meses de primavera são historicamente caracterizados pelo retorno das chuvas mais abundantes. Como referência utilizaremos o conjunto de dados da rede de estações meteorológicas automáticas do SIMEPAR as quais, em sua grande maioria, começaram a transmitir dados a partir de 1997. Computamos os valores das chuvas acumuladas médias mensais para os meses de setembro, outubro e novembro.
Em setembro, Fig. 1, as chuvas acumuladas médias mensais variam de 77 mm a 180 mm. Evidencia-se, portanto, uma forte variabilidade. Ainda que numa mesma região, estas variações são significativas. Nos últimos 20 anos, a Região Norte apresentou os valores acumulados médios menos expressivos. Em média variam numa faixa de 77 mm a 115 mm. Os valores mais expressivos para este conjunto de 20 anos se distribuíram dos 150 mm aos 180 mm nas regiões Sul, Central, Sudoeste e parte da Sudeste. Na Região Metropolitana de Curitiba distribuíram-se de 117 mm aos 137 mm.
Fig. 1 – Precipitação acumulada média (mm) – Setembro
Para outubro, Fig. 2, os totais médios acumulados para o período de 20 anos apresentam valores superiores aos de setembro. No Sudoeste e em parte do Oeste - os setores mais chuvosos - os valores médios variam de 200 mm aos 260 mm. Entre o Centro em direção ao Norte ou a Nordeste, os menores valores acumulados variam de 120 mm aos 170 mm. Uma diferença entre os dois meses - setembro e outubro - além dos valores, fica “visível” na distribuição espacial: em outubro variam menos espacialmente dentro de uma mesma microrregião.
Fig. 2 – Precipitação acumulada média (mm) – Outubro
Em novembro, as variações interregionais voltam a ser bastante marcadas em relação às precipitações médias acumuladas conforme Fig. 3. Na Região Metropolitana de Curitiba, a faixa de variação vai dos 116 mm aos 140 mm. As regiões Oeste, Sudoeste, Sul e da Serra do Mar em direção às praias são as áreas que apresentaram os maiores valores médios acumulados: 164 mm aos 180 mm. No Norte, embora sejam anotados os menores valores deste mês, os valores médios acumulados apresentam um ligeiro aumento em relação aos meses de setembro e outubro.
Fig. 3 – Precipitação acumulada média (mm) – Novembro
As três últimas figuras demonstram que nos últimos 20 anos as chuvas apresentaram fortes variações espaciais nos meses de setembro e novembro. Os valores acumulados médios aumentam gradativamente de um mês para o outro, lembrando que, em média, o trimestre menos chuvoso corresponde a junho, julho e agosto.
Características das temperaturas na primavera
Assim como foi descrito para as chuvas acumuladas médias, também para a temperatura média estas variações são bem pronunciadas em setembro. No Sul, na região de Inácio Martins até os Campos de Palmas, as temperaturas médias variam dos 13 ºC aos 15 ºC. No outro extremo - o mais aquecido - fica o Noroeste, na divisa com o Mato Grosso do Sul - faixa de variação entre 21 ºC e 23 ºC. Na Região Metropolitana de Curitiba, varia de 15 ºC a 17 ºC. Na Região Central, a faixa de variação vai dos 15 ºC aos 19 ºC. No Oeste e no Sudoeste a variação é maior: de 15 ºC a 21 ºC.
Em outubro as temperaturas médias indicam que a Região Noroeste e parte da Norte agora variam dos 22 ºC aos 25 ºC. Aumentam em média de 2 a 3 ºC em relação a setembro. A incursão das massas de ar frio já é mais rara. E quando estas atingem o Paraná, são mais fracas. Entre o Sul, Região Metropolitana de Curitiba e os Campos Gerais variam de 15 ºC a 18 ºC. Do Sudoeste ao Oeste e ainda em grande parte da Região Central, a faixa de variação média vai dos 17 ºC aos 23 ºC.
Para novembro as faixas de variação são, obviamente, mais elevadas do que para setembro. Na Região Metropolitana de Curitiba a faixa varia de 18 °C a 19 °C. No Noroeste - a região mais quente - vai dos 24 °C aos 26 °C. No Sul - a região menos aquecida - varia de 17 ºC a 19 ºC. Na Região Central variam de 20 ºC a 24 ºC sobretudo devido às características de relevo.
Considerando uma base de dados mais antiga do que a do SIMEPAR, a do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, Tab. 1, listamos alguns extremos de temperaturas já registrados no Paraná para o trimestre setembro - outubro - novembro.
Tab. 1 – Temperaturas extremas (°C) – Fonte INMET
Resumo dos meses julho, agosto e setembro (até 18/09)
Julho/2018
O mês de julho deste ano foi seco com temperaturas médias altas. Na Fig. 4 estão representadas as temperaturas médias para o período de 1997 a 2018 registradas nas estações meteorológicas automáticas do SIMEPAR, assim como as temperaturas médias calculadas do mês desse ano e finalmente a diferença (anomalia) entre as temperaturas observadas e a média. Os valores na figura das anomalias indicam o quanto a média foi superada, em graus Celsius. A distribuição espacial entre as temperaturas médias e as temperaturas médias observadas apresenta proximidade. Entretanto foi no Norte que a média foi superada mais significativamente: até 2,0 ºC. Na fronteira Oeste e no Litoral Sul ficaram muito próximas à média para o período.
(a)
(b)
(c)
Fig. 4 – (a) Temperatura Média (ºC), (b) Temperatura Média julho (ºC) e (c) Anomalia das Temperaturas (ºC)
Julho geralmente apresenta um dos menores valores anuais de precipitação no Estado do Paraná, ainda assim superiores aos 100 mm no setor Centro-Sul, Fig. 5. Neste ano o volume de precipitação acumulada não foi superior a 40 mm no Litoral, 20 mm em pequenas áreas do Sudoeste e no Leste dos Campos Gerais, sendo que ao longo do Vale do Paranapanema não houve registro de chuva. Houve déficit de precipitação em todas as regiões paranaenses, mais acentuado justamente nas regiões onde as médias climatológicas são um pouco maiores. Destaque para o forte déficit de chuvas acumuladas entre o Centro e o Sul, acima de 100 mm. No dia 30, o deslocamento de áreas de instabilidade que se desenvolveram à dianteira de uma frente fria ocasionou precipitações de granizo no município de Sengés.
(a)
(b)
(c)
Fig. 5 – (a) Precipitação Acumulada Média (mm), (b) Precipitação Acumulada julho (mm) e (c) Anomalia entre as Precipitações acumuladas (mm)
Agosto/2018
Na Fig. 6 identificamos o volume total de chuvas acumuladas na rede de estações meteorológicas do SIMEPAR. Os volumes foram mais significativos do Centro em direção ao Norte. Agosto habitualmente é pouco chuvoso no Paraná. Porém neste ano observou-se uma "inversão" do que normalmente ocorre, ou seja, na metade Sul as chuvas foram mais significativas. Neste caso, os desvios em relação à média destoaram do comportamento médio nesse setor.
(a)
(b)
Fig. 6 – (a) Chuva acumulada para agosto/2018 e (b) desvio das Chuvas acumuladas em relação à média (mm)
Os primeiros 17 dias de setembro foram pouco chuvosos. Na Fig. 7 é possível observar que as chuvas mais significativas atingiram o Oeste e o Sudoeste. Foram causadas por áreas que se desenvolveram à dianteira de uma frente fria, de fraca intensidade, que se deslocou pelo Sul do Brasil. Entre as regiões Central e litorânea o volume das chuvas está muito aquém da média.
(a)
(b)
Fig. 7 – (a) Chuva acumulada para setembro/2018 - 1° a 17/set e desvio das Chuvas acumuladas em relação à média (mm)
Intensidade e anos de El Niño e de La Niña
O Índice Oceânico Niño (ION) é utilizado pela NOAA para identificar El Niño (quente) e La Niña (frio) para eventos no Oceano Pacífico Tropical. Os valores são organizados em médias trimestrais de anomalia de Temperatura Média Superfície do Mar (TSM) para a região do Niño 3+4 (5º N – 5º S, 120º O – 170º O) conforme indicado na Fig. 8.
Fig. 8 – Áreas de Monitoramento
Atualização das condições do El Niño
A condição de ENOS – Neutro permaneceu durante agosto/2018, como indicado pela combinação das temperaturas um pouco acima ou abaixo da média, conforme pode-se observar pela Fig. 9.
No mês anterior o Oeste da região de El Niño 4 foi mais quente (valores semanais mais recentes ficaram em + 0,5 ºC), enquanto que as regiões de El Niño 3 e Niño – 3.4 se posicionaram fracamente positivas e a região Niño 1+2 permaneceu negativa, Fig.10. Anomalias na superfície (médias entre 180° - 100 °) permaneceram positivas, Fig. 11, com aumento das temperaturas sobre a superfície do Pacífico Central e uma pequena expansão das anomalias negativas no leste do Pacífico, Fig. 12.
A convecção retornou próxima à média e aumentou levemente sobre a Indonésia, Fig. 13. As anomalias dos ventos do oeste, nos níveis baixos (camadas mais baixas da atmosfera) se desenvolveram novamente de oeste e de leste na região central do Pacífico, embora as anomalias tenham sido pouco evidentes na média do mês. As anomalias para as camadas mais altas da atmosfera estiveram de oeste sobre o leste do Pacífico. Em geral, as condições oceânicas e atmosféricas refletem ENSO – NEUTRO para a maioria dos modelos do IRI/CPC que predizem que El Niño se desenvolve em algum momento durante a primavera e se estende até o verão (Fig. 14) Os analistas concluem que há condições para o desenvolvimento de El Niño durante a primavera e acompanham os modelos mais conservadores que indicam um evento fraco.
A persistência das temperaturas superiores à média na subsuperfície e o contínuo aumento nas anomalias dos ventos de oeste também apoia o eventual desenvolvimento de El Niño.
Resumindo: há entre 50% e 55% de probabilidade para El Niño na primavera de 2018 aumentando para 65% a 70% durante o verão 2018–19.
Esta discussão é resultado de um esforço consolidado da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA – em inglês), Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA e suas instituições afiliadas, resumido e adaptado pelo SIMEPAR.
Fig. 9 - Anomalias (ºC) médias da Temperatura da Superfície do Oceano (TSM) para a semana centrada em 05 de setembro de 2018. As anomalias são calculadas utilizando como referência os períodos médios semanais de 1981 a 2010.
Fig. 10 – Série temporal das anomalias das temperaturas (ºC) da superfície do Oceano (TSM) em uma área média nas regiões de El Niño [Niño - 1+2 (0° - 10°S, 90°O - 80° O), Niño 3 (5°N - 5°S, 150°O - 90°O), Niño - 3.4 (5°N - 5°S, 170°O - 120°O), Niño - 4 (150°O - 160°L e 5°N - 5°S)]. As anomalias de TSM são as variações das médias semanais do período base de 1981-2010.
Fig. 11 – Anomalias do conteúdo calórico (ºC) em uma área média do Pacífico Equatorial (5°N - 5°S, 180° - 100°O). As anomalias são calculadas os desvios das pêntadas médias do período base de 1981–2010.
Fig. 12 – Anomalias da temperatura (ºC) em uma seção vertical de profundidade longitudinal (0 – 300 m) na parte superior do Oceano Pacífico Equatorial, centradas na semana de 05 de setembro de 2018. As anomalias são mediadas entre 5 ºN - 5 ºS. As anomalias são variações das pêntadas durante o período base de 1981–2010.
Fig. 13 – Anomalias da radiação de onda longa emitida (ROL) (W/m2) durante o período de 11 de agosto a 05 de setembro de 2018. As anomalias de ROL são calculadas como desvios das pêntadas médias do período base de 1981–2010.
Fig. 14 – Prognósticos das anomalias das Temperaturas da Superfície do Oceano (TSM) na região de El Niño 3.4 (5°N - 5°S, 120°O - 170°O). Figura atualizada em 13 de setembro de 2018.
Previsão Probabilística da Precipitação
O modelo probabilístico disponibilizado pelo Instituto Nacional de Meteorologia em www.inmet.gov.br (acessado em setembro/2018) apresenta a previsão da precipitação para o trimestre outubro – novembro - dezembro/2018. Para a Região Sul predomina a distribuição acima da normal. Para o Paraná a probabilidade predominante situa-se na faixa de 35% a 45% para que o trimestre seja mais chuvoso do que a Normal conforme mostrado na Fig. 15.
Fig. 15 – Previsão Probabilística em Tercis – Precipitação – Atualização - setembro/2018 - Validade: outubro – novembro – dezembro/2018 (Fonte: INMET) – Adaptado por SIMEPAR
Conclusão
De acordo com as condições analisadas e previstas para El Niño/La Niña, a probabilidade é que o trimestre outubro-novembro-dezembro seja um pouco mais chuvoso do que a Normal. Segundo as previsões probabilísticas, esta tendência é de 35% a 45% acima da Normal com a expectativa de que El Niño fraco, probabilidade de 50% a 55%, se consolide durante este trimestre. As temperaturas seguem a tendência da normalidade, ou seja, devem manter a característica de média a ligeiramente acima da média ainda que a expectativa das chuvas seja conforme a descrita. Veja mais ...